Um livro muito interessante, autobiográfico, sobre a mudança da autora, uma bibliotecária especialista em livros raros em Oxford e Dublin, para uma bonita casa na Inglaterra rural, no condado de Shrospshire, junto a uma mansão histórica. Com essa mudança, a autora torna-se jardineira a tempo inteiro e cria um jardim elaborado a condizer com a propriedade cujos registos históricos remontam a quase mil anos atrás.

     A primeira construção na propriedade foi um mosteiro habitado por religiosos. Com o tocar do sino da igreja, hora a hora, a autora imagina um Livro das Horas para os religiosos do mosteiro que já não existe. Os Livros das Horas apareceram na época medieval e eram livros de orações, de cânticos e que incluíam uma agenda das festas religiosas. Eram decorados com iluminuras e muitas das grandes casas senhoriais tinham os seus Livros das Horas personalizados, com os santos das suas devoções e as atividades diárias e anuais das propriedades e das famílias que nelas viviam gerações após gerações.
A escrita não é das mais fáceis mas é muito bela, quase poética. A autora, como os anteriores habitantes, descreve-nos como passa o tempo na nova casa, as suas tarefas, a história da aldeia – Morville – e dos seus habitantes, muitos já desaparecidos mas sempre presentes e outros ainda vivos e muito carismáticos. A planificação do jardim e a sua construção não acontece sem alguns imprevistos narrados com mestria e graça.
Como um Livros das horas, a autora descreve os vários acontecimentos que fazem hoje parte da história de Morville Hall e do seu jardim, que hoje em dia está aberto ao público e é muito visitado.
Um livro muito bom que equilibra bem a história com o folclore e tradições culturais do lugar, assim como a natureza nas suas mais variadas ciências. No entanto eu gostaria que o livro tivesse mais detalhes sobre o jardim e sobre as plantas do jardim. Talvez esses detalhes tenham sido deixados para um outro livro da autora que ainda não li, o “The Morville Year”.