Todos os anos compro o almanaque BORDA D’ÁGUA. Só mesmo por tradição porque para além de algum informação sobre o calendário, não me tem grande utilidade. E terá utilidade para alguém?
Ora vejamos, o senhor da cartola e do fraque com abas de grilo que aparecem em todas as capas já tem 83 anos e uma palavra que não faz parte do BORDA D’ÁGUA é a palavra (e o conceito) ‘evolução’. Será que após 83 anos ainda terão de publicar brejeríces e informações desactualizadas que não são úteis para ninguém. É que nem o tiosinho lá da terra já faz as coisas segundo o calendário do almanaque.
Acho sinceramente que alguém devia pôr mãos à obra e fazer um almaque para jardineiros ou para quem vive e gosta do campo. Não estou a dizer que se mande o coitado do senhor da cartola para a reforma mas o BORDA D’ÁGUA é como aqueles velhotes cheios de histórias, ditados populares e coisas do antigamente que todos gostamos de ler mas que não damos muito crédito.
Aproveito aqui para homenagear um casal de velhotes que era muito destas coisas, o tio Heleno e a tia Aurora. Já ambos morreram fisicamente mas continuam vivos na minha memória. Eu era miúdo e ele adorava contar-me coisas que tinha aprendido num livro ainda mais velho que ele de História de Portugal. ‘Não chateies o moço com as tuas histórias!’, disse ela tantas vezes. E lá íamos os dois ver as galinhas que estavam a chocar ovos de faisão ou codorniz, ver as novas crias de canários ou alimentar os pequenos perus brancos com urtigas cortadas como se fosse caldo verde., Com eles aprendi muito, com o BORDA D’ÁGUA nem tanto…