Hoje, dia 8 de Agosto, era o aniversário do Dom Luís, o antigo dono e quem restaurou o Forte de S. Clemente, também conhecido como Castelo de Milfontes, em Vila Nova de Milfontes.
O seu nome completo era Luís Manuel de Castro e Almeida da Motta Prego.
Nasceu no ano 1897, filho da escritora e produtora de filmes, Virgínia de Castro e Almeida e do Agrónomo e escritor João Coelho da Motta Prego.
Dom Luís teve dois irmãos mais novos, José Lopo de Castro e Almeida da Motta Prego (1898 – 1956) e Luísa Constança de Castro e Almeida da Motta Prego (1904 – 1919).

Dom Luís com a esposa, a Dona Margarida nos anos 70.
Em 1937 casou com Maria Margarida Marques de Figueiredo.
Não deixou descendência e faleceu em 1982, com 84 anos.
O castelo foi comprado em ruínas em 1939 e nos primeiros anos foi reconstruído e adaptado para habitação. Inicialmente era utilizada como casa de férias e onde os proprietários recebiam os amigos, passados alguns anos tornou-se a sua morada definitiva e mais tarde, transformada em Turismo de Habitação quando o conceito ainda não existia. Sempre foi uma casa aberta aos amigos, depois aos amigos de amigos e por fim a hóspedes, especialmente estrangeiros.
Como curiosidade deixo a transcrição do texto escrito pelo Dom Luís no livro de visitas do Castelo, que nas primeiras páginas abre de seguinte forma:
“Uma vez, em 1939, fomos vários a Sagres para assistir a uma parte dos festejos dos centenários. A parada naval foi um desastre e, se bem que houvesse concorrência bastante, a península de Sagres é tão grande que tudo estava como que perdido na vastidão.
Á volta, vindo eu no meu carro com a minha mulher e um amigo (Vital Brito do Rio) e minha mãe no seu carro parámos no Cercal. – Há muito tempo que me atraía o nome de Milfontes e pedi que deixássemos um dos carros no Cercal e seguíssemos todos no carro grande de minha mãe até Milfontes. Assim se fez e depois de 14 Kilómetros de boa estrada chegámos à vila que é bastante pitoresca. Fomos visitar as ruínas de um forte abandonado, mas que ainda tinha certa imponência com as suas seteiras, ameias e porta brasonada. Forte mandado construir para proteger a vila contra o assalto dos piratas argelinos. Fomos informados que havia tenções de o comprarem ao dono, demolir e no seu lugar construir a Casa do Povo e a Escola tendo até um senhor que apareceu a meter conversa dito que queriam fazer campos de ténis nos fossos! Os fossos têm 10 metros de largo. Fantasias.
Em resumo comprei o Castelo por 800 escudos pondo-o em nome da minha mulher (Maria Margarida de Castro e Almeida da Motta Prego). Começaram logo nesse ano as obras de restauração e em Setembro de 1944 estavam as coisas em estado de poder ser habitado. Viemos passar oito dias as seguintes pessoas, José Lopo (meu irmão), minha mulher, a nossa sobrinha Maria José Figueiredo Sanches. Voltámos quinze dias depois trazendo criadas e com uma outra sobrinha nossa, Maria de Lourdes. Hoje 4 de Outubro de 1944 terminou a placa do poço que mandei abrir no fosso e que deu água aos 13 metros. Está-se procedendo à instalação da bomba para encher o depósito que mandei fazer no terraço superior. Voltaremos para Lisboa no dia 7 de Outubro. Assim se fez.

Eu junto do portão do Castelo de Milfontes (Forte de São Clemente) em 2025.
![]()