11 de Setembro.
Tanto para dizer. Tanto para reflectir. Mas depois, com a idade, a minha idade, parece que tudo deixa de ter a sua importância. Parece que nos habituamos ao caos, à violência e à destruição. Pensa-se nos líders, nas guerras, na histórias e no ódio. É geral, não se aprende nada. Repete-se e volta-se a repetir os mesmos erros, as mesmas decisões e a destruição reaparece num outro cenário, num outro contexto. Tudo se mantém igual. Mudam as pessoas. Os líders, os loucos e os que são carne para canhão. Cabe a cada um preservar as suas memórias e louvar o bem. Pensar como indivíduo e não como um formigueiro… porque um formigueiro está condenado se a Rainha das formigas é louca.
O ser humano está perdido num coletivo. A minha esperança e os meus louvores ficam-se por alguns, poucos, exemplares que conseguem, no meio do caos, brilhar um pouco. Uma promessa de alguma coisa. Não sei de quê. Mas uma promessa…
E hoje comecei o meu dia com um pequeno poema inglês que me apareceu pelo deus da Internet (o algoritmo) e depois andava aqui à procura de uma foto ilustrativa para assinalar o 11 de Setembro e apareceu-me esta… outra vez o deus algoritmo a influenciar… mas depois pensei, e não querendo diminuir o sofrimento de ninguém, que por vezes, o que me mantém a sanidade, são estes anjos que aparecem e que, sem terem qualquer interesse, ajudam, dedicam-se e são-nos leais… e porquê? que razão os move? Nunca os vou entender. São muito superiores a mim e ao meu entendimento. Ainda assim, hoje é dia de lembrar o que aconteceu no dia 11 de Setembro, mas também o que está a acontecer em tantos lugares do mundo, todos os dias, hoje, sempre, no passado e no presente. Há muitos dias em que preferia não saber, ou não me lembrar, ou esquecer. Para não me alienar. E o poema que originou isto tudo é assim:

Encontrei deus
num cão.
=
não numa igreja,
não num livro,
não onde
me disseram
para procurar,
=
ele era
só amor
com pelo,
=
só paz
com patas,
=
só
algo sagrado
sem quaisquer leis,
e quando ele se encostava
ao meu joelho
a escuridão
perdia o seu
domínio sobre mim.
=
nenhuma resposta sagrada
desceu dos céus.
=
só um cão
mostrando-me
o que deus significava
pelo amor.
=
eu encontrei deus
num cão.”
=
Na foto Riley, um Labrador de 4 anos que trabalhou nos destroços do World Trade Center.
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