Página Oficial de José M. M. Santos

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Esta foi uma entrevista que dei para a revista Jardins em outubro de 2025 e que saiu, pela altura da publicação do meu livro UM MUNDO DE ORQUÍDEAS, na revista de Novembro de 2025. A entrevista foi feita pela Arquiteta Paisagista, Ana Figueiredo Santos.

O que o motivou a escrever este livro? Sentiu que havia alguma lacuna na literatura sobre orquídeas que era preciso resolver?

O meu livro anterior sobre orquídeas, “A Paixão pelas Orquídeas”, já foi lançado há 12 anos, já teve 3 edições, está esgotado e já cumpriu o seu objetivo. Há muito tempo que muita gente me pedia um novo livro e numa década eu aprendi imenso, muitas coisas novas sobre orquídeas e sobre o seu cultivo. Fazia falta para a comunidade orquidófila, um livro onde se pudesse consultar sobre as orquídeas e o seu cultivo de uma forma fácil e com informação fidedigna. Atualmente há muita informação facilmente acessível na Internet, mas errada e que leva à morte de muitas plantas.

 O que distingue esta obra?

O meu cunho pessoal. Tudo o que aqui está é resultado da minha experiência, de conversas, das minhas viagens pelo mundo fora para ver orquídeas, das pessoas que encontrei e das partilhas de informação. E também das leituras, tenho uma vasta biblioteca sobre Orquidofilia onde é muito interessante pesquisar e tirar informações. Todas as fotos deste livro foram tiradas por mim e escolhidas de entre milhares de imagens que possuo.

 

Que tipo de conteúdo é que o leitor vai encontrar (técnico, conceptual, prático, etc)?

De tudo um pouco. Este livro pode ser dividido em várias partes. Começa com textos sobre algumas viagens que fiz e o que me marcou mais nessas viagens. São viagens que organizo e onde acompanho um grupo de pessoas, que também gostam de orquídeas, de plantas e de visitar jardins, exposições e os habitats naturais. São muito interessantes e onde se aprende imenso. Depois há um pouco de como as orquídeas estão inseridas nos costumes e na sociedade portuguesa. Segue-se informação mais técnica, com aspetos botânicos desta imensa família de plantas. A parte mais extensa é uma descrição dos géneros mais importantes, as suas características e formas de cultivo e onde saliento, dentro de alguns géneros, algumas espécies que acho que são relevantes. Os géneros estão agrupados em Alianças para também ajudar a perceber e a identificar semelhanças entre algumas orquídeas e nas suas particularidades. Segue-se uma parte mais prática, de “como se faz, passo a passo” sobre como eu aconselho por exemplo, a reenvasar uma orquídea, dividir, entre outros trabalhos, explicando o porquê de fazer desta maneira. E seguem-se os problemas que podemos ter de resolver nas nossas orquídeas, como as doenças, ataques de pestes e manutenção. E finalmente um Glossário para ajudar a compreender alguns termos mais técnicos que possam aparecer e um índice temático e fotográfico para facilitar a consulta do livro quando estamos a procurar algo mais específico. São 328 páginas de informação.

Há alguma história ou curiosidade interessante que descobriu enquanto pesquisava para o livro?

Na página 97 está uma citação de Joseph Paxton, um jardineiro inglês que admiro muito e estava a ler a sua biografia e li esta frase, tão simples, mas tão certa e que eu também digo muitas vezes. Esta frase resume tudo o que deveremos saber para cultivar orquídeas com sucesso. Fiquei até um bocadinho atordoado com a simplicidade e a atualidade desta afirmação de 1836 que tive de a incluir no livro.

 

Quais são as suas orquídeas favoritas e porquê?

Posso afirmar, com alguma dificuldade, que são os Cymbidium. Foi o género com qual tive contato primeiro. Adoro as espécies e os milhares de híbridos. Cultivam-se com uma certa facilidade, a variedade é imensa e estão floridos vários meses! O que pedir mais??

 

A sua coleção pessoal de orquídeas é riquíssima. Qual é aquela que ainda falta adquirir?

Não é riquíssima, tenho algumas com as quais me divirto. Não é uma coleção botânica séria, é um hobby. Faltam adquirir muitas. Acaba por ser um vício. Gostava de ter as cerca de 50 espécies de Cymbidium que podemos encontrar na natureza. Tenho algumas, mas gostava de ter mais. Vou pensar nisso.

 

Se pudesse dar apenas um conselho a um iniciante em orquídeas, qual seria?

Que comecem com os híbridos e só depois evoluam para as espécies mais complicadas. E que se informem sobre cada orquídea que comprem. Há algumas que não conseguimos cultivar porque não temos as condições ideais para elas. Temos de aceitar esse fato.